Técnicos integraram comitiva do Governo do Pará em curso no Peru sobre prevenção à doença “monilíase”, considerada de altíssimo risco

Especialistas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) buscam fortalecer a capacitação para proteger de pragas e doenças uma das principais atividades da agricultura familiar do sudeste paraense e da região da Transamazônica: o plantio de cacau.

No começo de novembro, seis técnicos lotados em cinco municípios do órgão integraram a comitiva multiinstitucional do Governo do Estado do Pará que viajou ao Peru, país fronteiriço ao Brasil, para uma capacitação sobre o fungo Moniliophthora Roreri, que causa a doença “monilíase do cacaueiro”, considerada com grande poder de devastação, chegando a destruir de 50% a 100% do planti

Depois que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) identificou focos de monilíase no interior do Acre em julho passado, foi necessário intensificar as medidas de alerta para impedir o alastramento.

No caso do Pará, o objetivo é que os profissionais da área pública estejam o máximo aptos para que possam reconhecer qualquer sinal de imediato, de modo a agir de forma integrada e eficaz, com resultado de erradicação ou ao menos de contenção.

Formação

Durante uma semana, o grupo participou de aulas práticas e teóricas em propriedades rurais e no centro de treinamento do Instituto de Cultivo Tropicales (ICT), uma organização não-governamental (Ong) sediada na província de San Martin, no Distrito de Tarapoto.

Do escritório local de Tucumã, no sudeste paraense, o técnico em agropecuária Décio Matos, que também é gestor ambiental, compartilhou a experiência de uma equipe que atende, com regularidade, mais de 200 famílias cacauicultoras ao longo e no entorno da rodovia PA-279.

“Fomos para trocar conhecimento. Informação é um processo contínuo. E o cacau é uma riqueza muito forte na Amazônia”, celebra o profissional.

Naquele município, há um potencial de crédito para a atividade, por exemplo, de cerca R$ 1 milhão pela linha Banpará-Bio, em parceria com o Banco do Estado do Pará (Banco do Estado do Pará), até o começo de 2022.

Produtores

A família Lima está na expectativa. O casal Francisco, 66 anos, e Jovelina, 60 anos, é atendido pela Emater de Tucumã há mais de 20 anos. São 15 hectares de cacau dentro da Fazenda Castanheira, diversificando-se com 11 tanques de piscicultura de tambaqui e 160 cabeças de gado leiteiro.

O endereço na Vicinal Castanheira, um ramal da PA-279, é de onde se colhem 15 toneladas de cacau por ano, exportadas para a Bahia por meio de uma cooperativa.

Na sucessão familiar, os filhos John, 39 anos, Ronne, 38 anos, e o neto Fernando, 18 anos, complementam a mão-de-obra e a gestão do dia a dia.

“Nossa ideia é triplicar a produtividade a partir de tecnologia. Manter a área plantada, porém, aumentar a produção em cima da mesma planta”, planeja Jovelina.

Maior produtor brasileiro

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, o Pará é hoje o maior produtor de cacau do Brasil: responsável por mais da metade de toda a safra nacional e com chance de produção de mais de 100 mil toneladas ainda para o final de 2021. São mais de 25 mil produtores envolvidos, trabalhando sobre quase 200 mil hectares.

 

Fonte: Ascom Emater/ Mercado do cacau